Cidades inteligentes: utilizando a informação de acordo com a comunidade

As cidades transformarão o estilo de vida e a economia do mundo nas próximas décadas com uma intensidade cada vez maior, esse efeito deve ser sentido com maior clareza nas grandes cidades da América do Sul e África. Para suportar essa concentração de pessoas, a tecnologia e a inovação devem ser capazes de aprimorar a relação indivíduo-comunidade por meio da implantação das cidades inteligentes.

Para uma cidade ser inteligente é fundamental que os municípios entendam suas particularidades e estabeleçam, por meio de melhores processos de políticas públicas, uma forma de otimizar seus recursos e gerar valor direto ao cidadão.

A maneira mais natural para tornar uma cidade inteligente é torná-la digital, depois conectada, sensorizada, para então tornar-se uma “smart city”, no entanto, algumas tecnologias, como Waze, deixam claro que através de um serviço agregado, sem dependência de infraestrutura pública, é possível melhorar a questão da mobilidade urbana de alguma forma.

O conceito para a implantação de uma cidade verdadeiramente inteligente é: começar pequeno, testar, desenvolver cultura e, depois, criar iniciativas maiores. Sempre de maneira gradativa e iterativa. Para que isso seja realizado, é fundamental que métricas sejam utilizadas, elas se baseiam na premissa que todo projeto tem um objetivo, todo objetivo tem um resultado esperado e todo resultado esperado tem uma métrica e um indicador. Esse fluxo começa com o levantamento de um dado, a transformação dele em informação e a ação a partir disso.

Um exemplo disso pode ser encontrado no interior paulista, onde foi detectado que o tempo médio de utilização das vagas de estacionamento em uma praça era de cerca de oito horas, levantando a dúvida se esse tempo elevado era devido a boa utilização do estacionamento, uma vez que se tratava de uma área comercial. Após o estudo do caso, descobriu-se que os donos dos estabelecimentos estavam utilizando as vagas dos clientes. Com esta constatação, o dado tornou-se informação, que foi discutida em uma reunião da associação comercial na qual definiram que era necessário que os comerciantes estacionassem seus veículos do outro lado da praça para disponibilizar as vagas para os clientes. O resultado disso foi a redução do tempo médio do estacionamento para 45 minutos.

De forma geral, grande parte dos projetos conhecidos como de inteligência são iniciativas top-down, que consiste, basicamente, em uma análise geral do sistema para então ir especificando, sem aprofundamento de detalhes, subsistemas de primeiro nível, sendo que cada subsistema é refinado, por vezes, em vários níveis de subsistemas adicionais, até que toda a especificação esteja reduzida o suficiente para analisar os elementos. Um exemplo prática disso seria a instalação de 300 câmeras de alta definição em toda cidade a fim de reduzir a insegurança, considerando essa medida suficiente para monitorar a região. No entanto, algumas questão como “Quem está olhando essas inúmeras câmeras?” passam despercebidas e sua utilização acabará reduzida a playbacks em investigações policiais ou demandas jurídicas, como consequencia, o resultado dessa operação será tardio. Uma maneira inteligente de aumentar a segurança, com a colaboração dos cidadãos, seria utilizar uma ferramenta, como um aplicativo, onde o cidadão reporta um incidente e essa informação ser comunicada aos órgãos de segurança, sendo esse projeto caracterizado como bottom up, no qual o cidadão demanda um certo valor que acaba sendo incorporado pela gestão pública.

As duas formas são válidas, desde que se adequem as necessidades da comunidade e, após sua implantação, sejam catalogadas em uma plataforma que sirva como um ecossistema capaz de auxiliar a comunicação entre parceiros e fornecedores, e, ao mesmo, permitir a gestores e a sociedade mensurar através de indicadores a efetividade e cumprimento dos objetivos.

Fontes:

http://www.prb.org/Publications/Lesson-Plans/HumanPopulation/Urbanization.aspx

http://www.thehindu.com/specials/in-depth/smart-cities-what-are-they/article8162211.ece

https://setis.ec.europa.eu/set-plan-implementation/technology-roadmaps/european-initiative-smart-cities

#cidadeinteligente

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