A prática de slow steaming nas cadeias logísticas mundiais

O comércio marítimo está sujeito às leis de mercado do mesmo jeito que a feira da rua de sua casa. Quanto maior for a oferta de navios disponíveis – ou menor for a demanda por transporte – menor será o frete. Ao contrário de outros mercados, essa oferta não depende somente do tamanho da frota, mas também de onde esses navios estão e quanto espaço disponível ainda tem a bordo nos momentos em que os clientes quiserem transportar sua carga.

Uma das formas de se diminuir a oferta de navios é fazer com que as embarcações fiquem menos tempo nos portos e mais tempo navegando, mantendo seus porões de carga cheios o maior tempo possível. Se suas rotas não mudarem, o único jeito de mantê-los navegando é diminuindo a velocidade de cruzeiro. Essa prática, que se tornou muito comum desde a última queda dos fretes na crise de 2008, ficou conhecida como slow steaming (definida pela redução de 15% na velocidade normal de operação, extra slow steaming corresponde a até 25% e super slow steaming acima de 25% de redução).

A crise iniciada no fim de 2007 não foi a primeira vez que o mercado marítimo operou com velocidades reduzidas. Essa prática já havia sido registrada na década de 1970 na primeira crise do petróleo, quando os preços de bunker aumentaram.

Há várias formas de analisar a prática do slow steaming no mercado de transportes mundial, visando desde aspectos econômicos até aspectos exclusivamente ambientais.

Impacto no consumo de combustível

Para fins de contextualização, vale informar o leitor que a potência necessária ao navio para se deslocar na metade da velocidade normal é aproximadamente 8 vezes menor que a potência normal, respeitando uma relação cúbica. Ou seja, a redução da velocidade de cruzeiro proporciona economia de combustível, fator responsável por aproximadamente 50% dos custos de uma viagem.

Em termos práticos isso significa redução de custos, o que numa economia ruim ajuda a sustentar o lucro dos fretes e a felicidade dos acionistas. Essa prática pode gerar economias de combustível de até US$67mi/ano/navio em rotas mais longas com a redução da velocidade de 26 para 20 nós.

Impacto no mercado de fretes

Quando os navios estão navegando com seus porões de carga cheios eles não podem carregar, portanto os clientes precisam esperar até que chegue alguma embarcação com o perfil desejado no porto mais próximo de sua localidade. Ou seja, a oferta cai. Em termos práticos, quando analisamos essa prática sob uma óptica econômica, a queda da oferta de navios força o aumento do preço do frete, novamente garantindo a felicidade dos acionistas e o sono dos armadores.

Impacto na cadeia de suprimentos (supply chain)

Navios em regime de slow steaming tem mais chances de chegar em seus destinos na janela prevista, pois tem mais margem de correção por adversidades climáticas e de filas. Um navio nessas condições tem a possibilidade de acelerar depois de pegar uma tempestade que o atrasou ou depois de sair de um porto cuja fila era maior que o previsto.

Para uma linha de produção, costuma ser mais interessante que as janelas de importação ou exportação sejam respeitadas do que a frequência dessas atividades seja maior, portanto a prática é vista com bons olhos por quase 70% dos clientes.

Conclusões

O planejamento adequado da velocidade de navegação das embarcações nos seus ciclos logísticos pode agregar diversos benefício financeiros e operacionais para todos os integrantes da cadeia. Entretanto, é relevante estruturar uma avaliação completa da operação e suas condicionantes operacionais, de maneira a garantir que os objetivos operacionais sejam atingidos e os benefícios financeiros possa ser extraídos desse novo planejamento logístico.

Como exemplo, em um projeto de navegação fluvial desenvolvido pela Genoa, foi proposta e simulada computacionalmente a redução de 3 nós na velocidade de cruzeiro de comboios na região amazônica. Apesar do aumento do tempo de navegação, o estudo comprovou ser possível encontrar um configuração de frota (de barcaças e empurradores) com a qual mantivesse-se a sincronia operacional no ciclo operacional fechado. Ou seja, a redução de velocidade resultou em perda de capacidade de transporte médio de cada barcaça (afinal, os tempos de ciclo aumentaram), que foi compensado com a inserção de barcaças reservas na operação (incremento de CAPEX). Entretanto, a redução de OPEX da operação, viabilizou (e muito) a adoção da nova velocidade de navegação, uma vez que garantiu custos significativamente menores (- 26%).

A Genoa é especialista na área de consultoria logística. Leia nossos casos de sucesso e entre em contato com nossa empresa!

Referências

MAN; 2012. Slow Steaming Practices in the Global Shipping Industry.

M. ZANNE, M. POČUČA, P. BAJEC; 2013. Environmental and Economic Benefits of Slow Steaming.

L. KLOCH; abril/2013. Is Slow Steaming Good for the Supply Chain?

L. H. LIANG; outubro/2014. The economics of slow steaming.

#slowsteaming #fretes #mercadomarítimo

Categorias
Posts recentes
Arquivo
 
Telefone: (11) 3032 - 6742      contato@genoads.com.br      Rua Álvaro Anes, 46, Pinheiros, São Paulo - SP