Iniciativas inovadoras para combate ao desperdício de alimentos

Você sabia que um terço dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados? Só no Brasil, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), 26 milhões de toneladas de alimentos têm o lixo como destino. A maior parte da perda, cerca de 45%, vem do setor de hortifruti, no qual se estima que metade dos alimentos produzidos seja perdida no manuseio e transporte.

Segundo Milza Moreira Lana, pesquisadora da Embrapa, países em desenvolvimento desperdiçam mais nas etapas que vão da produção à chegada no varejo. Já países desenvolvidos, onde geralmente há uma cadeia de transportes mais madura, a maior perda ocorre no fluxo do varejo ao consumidor final. Ela afirma que o Brasil está entre estes dois cenários e a proporção varia de acordo com a região, nível de urbanização e renda da população.

De fato, devido à falta de infraestrutura e informação para manuseio adequado, reduzir este desperdício é um grande desafio. No entanto, algumas iniciativas inovadoras tem se destacado no tratamento do problema.

Um exemplo disso é a startup americana “gomango” que está construindo caixas modulares refrigeradas para transporte de perecíveis em veículos não refrigerados. As caixas são feitas com um novo tipo de material que, depois de refrigerado, pode conservar a temperatura interna durante uma viagem de até 3 dias. A inovação, exige muito menos investimentos do que caminhões refrigerados, promete baratear os custos, aumentar o acesso e reduzir a perda de alimentos em países como a Índia, que também não aproveita 40% dos alimentos produzidos.

Ilustrativo do funcionamento das caixas da "gomango" para transporte de perecíveis.

Iniciativas deste tipo podem ter o Brasil como potencial mercado. Aqui, muitos produtores ainda optam por transportar seus produtos em caixas de madeira devido ao baixo custo, mesmo com a ocorrência de uma grande perda pós-colheita. Segundo Walcir de Lemos, presidente da Associação Comercial da Ceasa Grande Rio, “não há embalagens adequadas e economicamente viáveis para o produtor rural”. Ele também acredita que seja necessário incentivo público para o uso de embalagens que assegurem a qualidade do alimento em todas as etapas de transporte.

O Centro de Excelência em Tecnologia Avançada (Ceitec S.A.), empresa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), também desenvolveu uma tecnologia que permite aperfeiçoar o gerenciamento da cadeia logística de frutas e hortaliças. Dentre outras funcionalidades, o chip registra a temperatura e permite um maior controle dela no transporte e armazenagem. Um histórico de temperatura pode ser visualizado na tela de um smartphone e desvios podem ser identificados e corrigidos prontamente. Garantir a temperatura adequada, apesar de não produzir efeito imediato no alimento, aumenta o tempo de vida do produto em prateleira.

Em alguns momentos, a inovação não parte de alta tecnologia, mas sim de soluções simples que bem aplicadas podem melhorar a eficiência produtiva. Na Costa do Marfim, por exemplo, um sistema de secadores solares para cacau permite ao pequeno produtor controlar os níveis de umidade para se adequar a padrões internacionais de secagem. Desta forma, os grãos não são rejeitados por compradores e o agricultor vende o produto a um melhor preço. Já no Brasil, a Embrapa orienta pequenos produtores a criar um sistema simples para prolongar a vida útil dos produtos. O sistema consiste em uma casa de embalagens rudimentar e um carrinho para transporte que garantem a armazenagem em menor tempo logo após a colheita. Um maior tempo à sombra e menor manuseio além de prolongar a duração de alimentos, reduz a carga de trabalho do pequeno agricultor.

Segundo dados da FAO, o custo anual das perdas e desperdício de alimentos no mundo é de 750 bilhões de dólares. Além do uso de recursos e emissão de poluentes desnecessários, a quantidade de alimentos daria para alimentar com grande sobra a população mundial que hoje ainda passa fome, cerca de 800 milhões de pessoas. Os desafios na logística de alimentos perecíveis são grandes, mas soluções criativas apresentam a recompensa de reduzir o desperdício e permitir alimentar de forma mais eficiente e justa os milhões de habitantes que ainda estão por chegar.

Fontes:

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/3149491/especialistas-discutem-solucoes-para-as-perdas-e-desperdicios-de-alimentos-no-brasil

http://www.brasil.gov.br/ciencia-e-tecnologia/2014/08/pesquisas-da-embrapa-buscam-formas-de-evitar-o-desperdicio-de-hortalicas-e-frutas

http://www.bancodealimentos.org.br/conheca-banco-de-alimentos/desperdicio-de-alimentos-brasil-e-mundo/

http://www.bitmag.com.br/2015/09/ceitec-projeta-chip-de-iot-para-gerenciar-cadeia-de-frutas-e-hortalicas/

http://www.theguardian.com/sustainable-business/food-waste-global-supply-chain

http://southasiainstitute.harvard.edu/2016/05/seed-for-change-qa-gomango/

#sustentabilidade #supplychain #alimentos

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