Corridas compartilhadas chegam a São Paulo

Com a estreia das funcionalidades EasyShare e uberPool, disponibilizadas no final do mês passado pelos aplicativos de transporte individual Easy Taxi e Uber, surge uma nova alternativa para locomoção em São Paulo: ao solicitar uma viagem, o usuário desses aplicativos poderá optar por dividir o veículo com outros passageiros. Se já víamos com bons olhos incentivos para o cidadão deixar seu carro próprio em casa, a nova modalidade de corrida compartilhada é ainda mais vantajosa: quando dois desconhecidos usam um único veículo para fazer um trajeto comum, ao invés de cada um seguir no seu táxi (ou carro próprio), um automóvel a menos circula nas ruas. De fato, em ambos os modelos de compartilhamento tanto o passageiro como o motorista saem ganhando – sem contar o impacto positivo que a iniciativa pode ter no trânsito das cidades e, consequentemente, na sociedade como um todo.

Fonte: Época

Utilizando o EasyShare, usuários conseguem compartilhar um táxi se seus pontos de origem forem até 250 metros distantes um do outro e se a distância entre destinos for de até 750 m. Assim, a empresa parece estar apostando na melhora de transporte de/para grandes eventos, como shows e jogos olímpicos - o EasyShare está disponível em todas as cidades brasileiras que já contam com a Easy Taxi, incluindo o Rio de Janeiro. Neste modelo, o custo total da viagem tem um acréscimo de valor, de forma que o motorista receba mais do que receberia pelo mesmo trajeto com apenas um usuário e, simultaneamente, o valor que cada passageiro pague seja inferior ao que pagaria sem o compartilhamento. Por exemplo, uma corrida que normalmente custaria R$20,00 pode custar R$8,00 por passageiro, caso o trajeto seja compartilhado entre 4 pessoas, totalizando R$32,00 para o motorista (para mais detalhes, clique aqui). Já o uberPool permite uma distância maior entre as origens dos usuários, sendo apenas necessário que os destinos sejam na mesma direção (ou seja, que faça sentido unificar suas rotas), e aparentemente não há acréscimo no custo total da viagem. Para beneficiar o motorista, ao invés de ficar com 25% do valor total cobrado pela viagem a empresa pega uma fatia menor, o que significa que o motorista acaba ganhando mais pelo deslocamento. Para o usuário, além da economia há a vantagem de saber previamente quanto a corrida custará, diferentemente do que ocorre com o uberX. Em contrapartida, o motorista é obrigado a seguir o trajeto calculado pelo Waze e, por conta das paradas (que podem ser de no máximo 2 minutos), em geral o deslocamento acaba levando mais tempo para cada passageiro.

Imagem: http://br.ccm.net/news/28546-compartilhamento-de-corrida-no-easy-taxi

Em ambos os modelos citados a utilização de recursos é melhorada, por conta da diminuição da capacidade ociosa - tanto o número de assentos ocupados por carro aumenta, como o tempo em que os veículos circulam vazios diminui, uma vez que trajetos comuns são unificados. Isso é especialmente relevante em cidades como São Paulo, cujo tráfego rodoviário é intenso e a média de pessoas por veículo é de apenas 1,4 (dado de 2011). Observa-se, ainda, que o serviço oferecido pela Uber tem grande potencial de uso mesmo em trajetos diários, podendo de fato impactar a quantidade de veículos percorrendo os grandes centros urbanos. Claro que é preciso avaliar tais impactos com cautela, uma vez que em alguns casos os preços podem ser competitivos a ponto de atrair usuários de transporte coletivo e, neste caso, ter o efeito contrário em termos de número de veículos em circulação. Ainda assim, tomando por exemplo a cidade de São Paulo, cujo sistema de transporte coletivo não consegue atender toda a demanda por esse tipo de transporte, a inovação é positiva.

Do ponto de vista da Genoa, este tipo de iniciativa é especialmente interessante porque põe em prática métodos de solução úteis a problemas similares, muito comuns no contexto da logística. O desafio de designar os recursos (veículos) a pares de origem-destino e roteirizar os veículos de acordo com tal alocação, de maneira a minimizar os custos (ou o tempo total de deslocamento, por exemplo), é um problema bastante estudado na literatura acadêmica. Fazer essa ponte entre o conhecimento acadêmico e os problemas enfrentados no mundo corporativo é o que nos move e ficamos felizes em ver que não estamos sozinhos!

Fontes:

http://epoca.globo.com/vida/experiencias-digitais/noticia/2016/04/chegamos-enfim-era-dos-carros-compartilhados.html

http://www.promoview.com.br/virtual/mobile/easy-taxi-lanca-servico-de-compartilhamento-de-corridas-no-brasil-.html

http://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2016/04/easy-taxi-ganha-funcao-para-dividir-preco-da-corrida-economia-chega-60.html

https://newsroom.uber.com/brazil/preco-uberpool/

http://epoca.globo.com/vida/experiencias-digitais/noticia/2016/03/aplicativos-de-taxi-reagem-ao-uber-pool-usuarios-sairao-ganhando.html

#mobilidade

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